Categoria: Textos-serios

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O jovem tinha sonhos. O jovem tinha esperanças, queria mudar o mundo. O jovem poderia mudar o mundo, e era o que ele ia fazer.
O jovem achava que sabia que ia ser difícil, mas também achava que não ia desistir.
Provavelmente porque era jovem.

O jovem sabia que pra mudar o mundo, ia precisar de forças. E ia precisar aprender a lutar.
O jovem, então, busca treinamento. E quem o treina é o homem.

O homem já tem muita experiência, já lutou muito, mas já não tem sonhos. Ele sabe que esses sonhos não vão mais se realizar.
Provavelmente porque tem muita experiência.

O jovem fala de suas idéias revolucionárias, seus desejos de mudar o mundo, mas o homem ensina que não é assim que funciona. Parece que tudo que o homem ensina ao jovem vai contra os princípios dele, então ele decide que, quando chegar a vez dele, não vai ser assim. E ele não entende porque (ou porquê, ou por quê, ou por que) o homem age dessa maneira.

O jovem, então, termina o seu treinamento. Agora ele é um homem também. E sai pra fazer seu trabalho.

Ele realiza o seu trabalho, do jeito que lhe foi ensinado, e se orgulha disso. E, pra provar que o homem estava errado, ele faz um pouco mais, além do que devia.

Ele logo tem outro trabalho à fazer, e novamente, orgulhosamente, faz um pouco à mais.
Então ele decide sempre fazer um pouco à mais. Porque o homem estava errado, e porque ele tem princípios e vai mudar o mundo.

Um dia, o jovem (vou continuar chamando assim porque deu preguiça de criar um nome) está cansado, e faz apenas o trabalho normal. O cliente pergunta 'vai fazer pela metade, meu jovem? você já foi melhor'.

Ele sempre fez à mais, mas quando faz apenas o necessário uma primeira vez, é como se ele sempre fizesse o necessário e desta vez ficasse devendo.
Mas tudo bem, ele é jovem e vai mudar o mundo.

O tempo passa, e o jovem não consegue mudar o mundo. E vai ficando cansado, cansado das exigências, pois ele deixou as pessoas mal-acostumadas, e essas não mostram muito reconhecimento. Só pedem mais, e cada vez mais. Como se fosse obrigação dele.


Um dia o jovem anda cabisbaixo, desanimado, quando encontra seu velho mestre.

-Mestre, eu não entendo. Eu lutei, me esforcei, tentei mudar o mundo, mas só o que aconteceu foi que se aproveitaram de mim. E ainda reclamaram quando eu fiz somente o necessário!

O mestre, do topo de sua grande montanha de sabedoria, lhe disse:

-Psss! tu entendeu tudo errado, meu bruxo. Negócio é o seguinte: tu vai lá, faz o que te pediram e deu. Cabô, não tem muito papo não. E mete a faca no rim, cobra os zóio da cara, que só aí te dão respeito, tá me entendendo? Então larga essa frescurinha de agradá cliente e não fica aí choramingando pelos canto! Mudar o mundo? primeiro tu faz o teu lado, se sobrá tu até dá uma mão, mas primeiro enche o teu!

Sábias palavras...



(isso é só uma viagem que me veio na cabeça. eu obviamente não penso assim. nunca quis mudar o mundo mesmo...)


Acabo de perceber que o mundo é aleatório.

Que não faz sentido achar que as coisas acontece com a gente por merecimento, ou por falta de.

Aquela história de 'se colhe o que se planta' não é tão exata assim. Isso só vale quando se fala de trabalho, ou de agropecuária mesmo.

Quanto ao resto, é besteira acreditar que coisas boas vão acontecer só porque, na medida do possível, a gente tenta fazer as coisas certas.

Na verdade, ás vezes parece que acontece exatamente o contrário. Quanto mais a gente se esforça pra fazer as coisas certas, pra que tudo dê certo, parece que mais coisas acontecem erradas, só pra nos provar que não adianta o que a gente faça, as coisas acontecem como tem que acontecer. Independente do que a gente espere.

Eu tava pensando nisso, e pensei em chamar isso de Teoria da Aleatoriedade, que seria uma teoria que diz que as coisas acontecem de um jeito que a gente não tem como saber porque é tudo aleatório. Que se eu atravesso a rua e um carro me atropela, mesmo que eu olhe para os dois lados antes de atravessar, isso que aconteceu foi aleatório, porque as coisas simplesmente tem que acontecer, de um jeito ou de outro.

Mas aí lembrei que já deram um nome pra isso. Chamam de destino.

Então pensei que um nome melhor pra minha teoria seria Teoria de Alan. Mas não o Alan Quatermain, que deve ter ficado milionário com as Minas do Rei Salomão, mas sim o Alan Harper. Aquele cara que dá um duro danado, que  tenta ser legal com todo mundo e que mesmo com isso só se ferra, enquanto vê outra pessoa agindo exatamente ao contrário e se dando bem o tempo todo.


A gente sempre acha que as coisas vão ficar mais fáceis, e que a tecnologia vai sempre nos ajudar. Quando criaram a história de "De volta para o futuro", eles pensavam que o futuro seria mais fácil e mais prático.

Besteira. Mesmo com tanta tecnologia que temos poraí, as coisas complicam cada vez mais.

Veja por exemplo, na hora de comer. Se formos fazer a nossa própria comida, temos que ir em algum lugar comprá-la, e aí começam os nossos problemas.

Primeiro, a gente nunca encontra as coisas na quantidade em que quer. Na verdade, se tratando de comida, até encontra, mas logo ao lado do que nós queremos tem um outro produto com uma promoção imperdível onde a gente compra nãoseioquê e ganha outracoisaqualquer, que na verdade não precisamos (e nem iríamos querer). Aí acabamos sempre comprando mais do que tínhamos planejado, sem contar quando a gente quer o produto B mas só tem o produto A e o C, e o C está com uma promoção que, a partir de três unidades, eles custam dez centavos a menos. Isso é mais problemático quando se compra outros produtos, como uma caneta, por exemplo. Em mercados 'grandes' é impossível de se comprar uma caneta, ou um lápis, ou um caderno de 50 folhas. As canetas vêm em pacotes de no mínimo 5, uma de cada cor; lápis eu acho que nem vendem mais, só aquelas lapiseiras que até bússola tem; e cadernos, no mínimo aqueles de 20 matérias com adesivos do crepúsculo, ou coisa parecida.

Se formos em algum lugar comer, o problema muda. Primeiro, que cada lugar atende de um jeito diferente. O subway, por exemplo. A ideia do subway é que a gente faça o próprio lanche, mas não é assim que funciona. A gente vai lá e tem que ficar escolhendo o que quer que eles coloquem no lanche. Parece simples, mas quando a gente olha praquele monte de coisas, tem vontade de pedir um pouco de cada, mas como não queremos passar por mortos de fome, não podemos fazer isso. Aí o tempo vai passando, e a gente pede a primeira coisa que vem à mente:

-Hã, eu vou querer queijo.

-Só queijo?

-Queijo e aquilo ali.

Seja lá o que for aquilo ali... Agora, um mérito deles, que provavelmente foi a melhor coisa já inventada, é o menu com números. É claro que isso é feito pra nos enrolar, já que a foto ao lado do prato sempre parece muito melhor do que realmente é, mas só em poder pedir algo pelo número já ajuda bastante. Assim, a gente não passa vergonha tentando pedir algo que não sabe nem como se pronuncia. Eu, por exemplo, não faço idéia de como se pronuncia Croissant, ou Petit Gateau, e como ainda não encontrei nenhum lugar onde tenha um número ao lado de um desses negócios, ainda não pude experimentar.