Categoria: Textos-requentados

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Fevereiro. Calor. Feriadão de carnaval.
Isso lembra o que?

O que? praia? que nada, isso é dia de ir pra Paranapicuíba!

Eu não quero parecer um turista interioriano poraqui, que se admira com tudo, então eu vou falar como se fosse algo totalmente normal o fato de se  poder viajar pro interioR de trem. E também não vou mencionar que aqui tem metrô e tem trem, e que são quase a mesma coisa, com a diferença de que em alguns trens tem um pessoal vendendo cerveja (!) dentro dos vagões, e em outros trens tem ajudantes pra empurrar as pessoas pra dentro quando já há mais de duas pessoas ocupando o mesmo espaço físico (aqui eu ia fazer de novo aquela piada sobre dois corpos ocupando o mesmo espaço, mas seria meio óbvio). E metrô, pelo que eu pude notar até agora, são os que tem ar condicionado e não tem  vendedor de cerveja.

Mas continuando... como a gente não tava muito afim de ficar cozinhando em casa, fomos cozinhar lá em Paranapiacaba.
A propósito, esse cozinhar não era do verbo 'fazer comida', e sim ser do verbo 'ser cozinhado vivo pelo calor'. Obviamente é um exagero de minha parte, já que isso é meio improvável de acontecer, mas que seja. Mas provavelmente quem leu, entendeu.

Droga, já comecei a divagar de novo.

"Paranapiacaba é um distrito do município brasileiro de Santo André (estado de São Paulo). Surgiu inicialmente como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway - estrada de ferro que possibilitava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos, e vice-versa. A palavra paranapiacaba significa "de onde se avista o mar", em tupi-guarani."

Pronto, só esse parágrafo copiado da Wikipedia já falou mais do que eu vou falar em todo o resto do texto.

Então, gente foi pra lá. A viagem no trem é tranquila, já que tinha ar condicionado, e... ou era metrô? já que tinha ar-condicionado e não tinha cerveja, talvez até fosse.
Não sei.
Quando chegamos na última estação, em Rio Grande da Serra, eu já me senti em um filme antigo. Não tanto pelo visual da estação, que parece bem antiga, mas sim porque logo que se sai dela, tem que passar pelos trilhos. Daí quando o trem vem chegando, eles tocam uma sirene pra avisar o povo, e baixam a cancela pra ninguém mais passar (mas sempre tem uns malas que passam, do mesmo jeito...). Bem coisa de filme antigo do Mazaropi.

Dali, a gente corre até a parada, e tem um cara perguntando 'quem vai pra Parana? já tá saindo o ônibus pra Parana'. Então, este que vos fala pergunta ao homem se o ônibus vai até Paranapicuíba, e ele responde que sim, o ônibus vai até Paranapiacaba.

Não me pergunte de onde eu tirei esse nome, mas saiba que não é invenção minha. Tá, na hora eu não sei de onde eu tirei esse nome, mas uma rápida busca no gúgou mostra que mais pessoas cometeram o mesmo erro.
Provavelmente seres que tem o dom da falta de memória, ou algo assim.

A viagem de ônibus é rápida, e me lembrou o filme Turistas bem no início, com a diferença que não tinha galinhas no ônibus e a via era asfaltada, e... tá. na verdade não parece tanto assim, mas na hora isso me veio na cabeça.

Depois, a gente chega lá em Paranapiacaba. Ali na descrição da Wikipedia, diz que é um distrito, mas eu, sinceramente, não faço muita idéia do que seja um distrito. O que eu vi lá era tipo um vilarejo na parte baixa de um vale, com montanhas por volta. Um vilarejo com casas antigas, uma igreja antiga, um cemitério muito antigo, uma estação de trem antiga, um botequinho com velhinhos pitando, e, claro, um monte de gente tomando cerveja.

Seilá, tem que gostar muito de cerveja pra viajar um monte até lá só pra beber. Ainda se fosse alguma cerveja paranapiacabense eu entenderia, mas cerveja normal? Vai entender...

Ao chegar, a gente fica na parte alta. E bota alto nisso, só de olhar lá pra baixo, já passa um pouco a vontade de descer, porque a gente pensa que depois vai ter que subir tudo de novo. Mas mesmo assim é um lugar bonito. Tem até um ônibus, tipo um bonde antigo (que eu me lembre era mais ou menos isso) que fica passeando pela cidade, e que pela cara do pessoal que estava nele deve ser muito divertido, tão divertido que a gente não se arriscou a andar nele.
E também porque tinha que pagar pra andar.

Infelizmente, dessa vez não tinha uma câmera pra tirar fotos por lá, mas espero da próxima ter ao menos feito o celular funcionar junto com o pc, pra poder tirar alguma foto. Enquanto isso, eu achei esse link, com umas fotos de lá. Preste atenção no nome das imagens, pra  ver como não fui o único que trocou os nomes..



 01) Há 2 palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.

 02) Se você não é parte da solução, é parte do problema.

 03) Se procura uma mão disposta a te ajudar, vai encontrá-la no final do teu braço.

 04) Quem sabe, sabe. Quem não sabe, é chefe.

 05) Na verdade, o importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.

 06) Ter a consciência limpa é ter a memória fraca.

 07) Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque já descobriu em quem colocar a culpa.

 08) Uma tarefa fácil se torna difícil se é você quem tem que fazer.

 09) Você não é um completo inútil: ao menos serve de mau exemplo.

 10) Trabalhar nunca matou ninguém, mas...... por que se arriscar?



Era uma quinta feira. Uma quinta feira tão chata como as quintas-feiras devem ser.

Aí chegou a mensagem no msn. Vinha de alguém que estava offline.

Nessas horas, eu sempre me pergunto porquê não deixo o meu status offline, mas eu sei a resposta. É que estou online.

A cliente pergunta se eu ainda estou trabalhando, pois ligou no meu celular e atendeu outro cara. Eu confirmo, e ela diz que tem um erro no sistema.
Quando ela tenta cadastrar um produto na nota fiscal, aparece um erro, mas só quando se utiliza o micro do servidor. No micro dela, que acessa o servidor, funciona normalmente. Eu peço um print da tela por email (juro que não é um jeito de chutar pra frente e ganhar tempo, mas funciona...).
Fico uns dois minutos atualizando a caixa de entrada pra ver se chegou o print, e nada. Então continuo fazendo o que eu tava tentando fazer antes.

Uns minutos depois chega o email, um print de 2Mb. Hoje em dia não é nada de mais, mas há uns dois anos, eu levaria uns dez minutos só pra baixar esse anexo.

Hoje de manhã eu pego o email e vou ver o erro. Faço um teste no meu servidor, e funciona. Daí eu vejo no email, que ela tá usando o Infernet, digo, Internet Explorer. Daí rodo o teste no Inf.. Internet, e acontece o erro.
Daí eu lembro que, da última vez que eu acessei a máquina dela, ela usa o Firefox pra navegar. Então eu mando um email avisando isso, e digo que vou continuar procurando a solução, mas que ela pode usar o Firefox que não vai dar erro no sistema.(1)

Fico a manhã inteira correndo atrás, pra descobrir que erro é, e levo umas 3 horas pra descobrir que eu preciso copiar uma linha do código pra outra parte do código.
Parece simples, mas o detalhe é que não fui eu quem fez esse sistema. E eu nem sei direito como funciona...
Pronto, tá resolvido. Eu digo pra ela que tá resolvido, e peço que me libere o acesso pra que eu possa atualizar o sistema. Ela diz que agora tá funcionando (porque ela instalou o firefox...), então eu digo que vou deixar assim(2), se ela não usar mais o IE. Ela concorda, e diz que tem mais umas correções pra eu fazer, mas que ainda precisa organizar pra me passar.

1 - Nessa hora eu fui preguiçoso. Eu dei uma solução temporária, ao invés de uma definitiva, mas prometi que ia arrumar outra solução. Eu acho que o preguiçoso faz, com preguiça mas faz.

2 - Nessa hora, eu fui vadio. Eu podia ter insistido pra acessar, mesmo porque era simples (depois de todo o trabalho pra descobrir), mas achei mais fácil deixar assim.

Que droga de texto, hein?


Eu tava ali na escadinha dos fundos, sentado, comendo uma laranja e pensando na vida.
Daí eu olhei bem pra laranja, e cheguei à conclusão de que não conseguiria inventar uma ligação entre ela e a vida.
Então terminei de comer ela e voltei pra cá.

Quando se tem mil coisas pra fazer, como se escolhe por onde começar?


Vamos tentar uma abordagem diferente.
Vamos tentar escrever algo tipo 'auto-ajuda' e tornar este blog um pouco menos inútil.

Pois é.

Você é uma pessoa importante (eu ia escrever 'tu', mas acho que nunca vi algum livro de auto-ajuda onde estivesse escrito 'tu'). Seja lá por qual motivo, você é importante, porque... hã... porque deve ser, seilá. Talvez nem seja, mas se alguém começou a ler um livro de auto-ajuda, é o que ela espera ler. Ou não, na verdade se ela precisa de um livro de auto-ajuda, provavelmente ela acha que não é, mas isso não quer dizer que ela não espere ler que é importante. E com isso eu acabo de me contradizer, mas enfim.
Acho melhor tentar de novo.

Cada ser vivo é uma criatura.
Digo, uma criatura única. Mesmo os clones devem ter alguma diferença, e se não tem, eles são só a exceção que prova essa regra. Logo, cada ser vivo é único exceto os clones.
Pense nisso que eu acabei de escrever.
Vai, pensa mais um pouco.

É, não faz muito sentido, mesmo. Mas olha só como são as coisas. Tu, uma criatura única nesse universo, tá ali na cozinha, descascando uma batata, outra criatura única neste mesmo universo (batatas são parecidas mas não são clones, portanto são únicas). Duas criaturas únicas que se encontram. Podia ser um outro 'tu' qualquer, ou uma outra batata qualquer, mas não. É tu e aquela batata, mais ninguém. Não é uma batata muito bonita, o que torna a coincidência ainda maior, já que se fosse uma batatona linda de morrer provavelmente não seria por coincidência e sim por ela ser uma batatona linda de morrer, e não por tu ser um mau escolhedor de batatas, o que só se percebe na hora de descascar ela e ter que ficar tirando aqueles trocinhos que eu não sei o nome.

Mas enfim, tu descasca a batata, cozinha, enjambra um molho e depois come ela. E tu acha que acaba poraí a existência desta batata não-tão-bonita?

É claro que acaba, oras.

(Nota: ao contrário do que possa parecer, isso não é uma metáfora. E vale explicar que a parte da batata não ser bonita eu inventei agora, porque esqueci o que eu tinha pensado ontem enquanto descascava ela.)


Uma historinha que mostra a diferença entre homens e mulheres.

Digamos que um cara chamado Roger está atraído por uma mulher chamada Elaine. Ele a convida para ir ao cinema, ela aceita. Eles se divertem muito. Algumas noites depois, ele a chama pra jantar, e novamente eles se divertem. Eles continuam se vendo regularmente, até que um tempo depois nenhum deles sai com mais ninguém, apenas os dois.

Então, uma noite quando eles estão dirigindo pra casa, um pensamento ocorre à Elaine e, sem pensar muito, ela diz: "Você notou que, hoje, fazem exatamente 6 meses que estamos saindo?"

Então, há um silêncio no carro. Para Elaine, parece um silêncio alto demais. Ela pensa consigo: 'Nossa, será que ele se incomodou por eu ter dito isso? Talvez ele se sinta preso pelo nosso relacionamento, talvez ele pense que estou tentando arrastá-lo pra algum tipo de obrigação que ele não quer, ou não tem certeza'.

E Roger está pensando. 'Credo. Seis meses.'

E Elaine está pensando: 'Mas, ei, eu não tenho certeza de que quero este tipo de relacionamento, também. Ás vezes eu queria ter um pouco mais de espaço, pra que eu tenha tempo de pensar se eu realmente quero que as coisas continuem como estão indo... digo, onde estamos indo? Vamos apenas continuar saindo, sem muita intimidade? Vamos nos casar? Ter filhos? Ter uma vida juntos? Será que estou pronta pra esse tipo de compromisso? Será que eu ao menos realmente posso dizer que o conheço?'

E Roger está pensando:' ... então quer dizer... vejamos... Fevereiro, quando começamos à sair, foi logo depois que eu busquei o carro na oficina, o que significa... deixa ver o odômetro... opa! preciso mandar trocar o óleo!'

E Elaine está pensando: 'Ele está cansado. Posso ver no seu rosto. Talvez eu esteja entendendo isso errado. Talvez ele queira mais do nosso relacionamento, mais intimidade, mais comprometimento, talvez ele tenha sentido - mesmo antes de eu sentir isso - que eu esteja me reservando. Sim, eu aposto que é isso. É por isso que ele reluta tanto pra dizer algo sobre o que sente. Ele tem medo de ser rejeitado.'

E Roger está pensando: 'Eu preciso mandar revisar a transmissão de novo. Não me importa o que aqueles idiotas digam, ainda não tá funcionando direito. E é melhor eles não tentarem culpar o frio desta vez. Que frio? está 15° lá fora, e esta coisa funciona como um caminhão de lixo, e eu paguei praqueles ladrões R$600.'

E Elaine está pensando: 'Ele está bravo. E eu não o culpo. Eu estaria brava, também. Eu me sinto tão culpada, por fazê-lo passar por isso, mas isso não muda o que eu sinto. Eu simplesmente não tenho certeza.'

E Roger está pensando: 'Eles provavelmente vão dizer que a garantia já acabou. É exatamente o que eles vão dizer, aqueles otários.'

E Elaine está pensando: 'Talvez eu seja idealista demais, esperando um cavaleiro chegar em seu cavalo branco, enquanto eu estou do lado de uma pessoa perfeiamente boa, uma pessoa que eu gosto de estar junto, uma pessoa que eu realmente me preocupo, uma pessoa que realmente parece se preocupar comigo. Uma pessoa que está triste por causa do meu egoísmo, de minha fantasia de menininha.'

E Roger está pensando: 'Garantia? Eles querem uma garantia? Eu vou lhes dar uma garantia. Eu vou pegar a garantia deles e enfiar no...'

"Roger", Elaine diz alto.

"O que?", Roger diz.

"Por favor, não se torture deste jeito", ela diz, com os olhos marejando. "Talvez eu não devesse ter... oh, eu sinto muito..."

(Ela começa a soluçar)

"O que?", Roger diz.

"Eu sou tão boba," Elaine diz, solulçando. "Digo, eu sei que não há nenhum cavaleiro. É bobo. Não há nenhum cavaleiro, e nenhum cavalo."

"Não tem cavalo?", diz Roger.

"Eu sou uma boba, você não acha?" diz Elaine.

"Não!", diz Roger, feliz por finalmente saber o que dizer.

"É que... que.. eu... eu preciso de algum tempo", Elaine diz.

(Há uma pausa de uns 15 segundos enquanto Roger, pensando o mais rápido que pode, tenta achar uma resposta segura. Finalmente ele acha uma que deve funcionar).

"Sim", ele diz.

(Elaine, emocionada, pega a mão dele)

"Oh, Roger, você realmente acha isso?", ela diz.

"Isso o quê?", diz Roger.

"Sobre o tempo", diz Elaine.

"Ah," diz Roger. "Sim."

(Elaine fica face a face com ele e olha profundamente nos seus olhos, fazendo com que ele fique nervoso pelo que ela pode dizer agora, especialmente se incluir um cavalo. Então, ela diz.)

"Obrigado, Roger," ela diz.

"Obrigado," diz Roger.

Então ele a leva até a casa dela, e ela vai dormir, com uma alma em torturada e em conflito, e lamenta até o amanhecer, enquanto Roger volta pra casa, abre um pacote de salgadinhos, liga a tv e imediatamente se ocupa com uma reprise de uma partida de tênis entre dois Tcheckoslováquios que ele nunca ouviu falar. Uma vozinha lá o fundo de sua mente o diz que algo maior esteve acontecendo no carro, mas ele tem certeza de que não há jeito de entender, então ele pensa que é melhor não pensar sobre isso.

No próximo dia Elaine chama a sua melhor amiga, ou talvez duas delas, e elas vão falar sobre o que aconteceu por 6 horas seguidas. Em minuciosos detalhes, elas vão analizar tudo o que ela disse, repetindo várias vezes, explorando cada palavra, expressão e gesto, procurando significados, considerando cada possível ramificação. Elas vão continuar discutindo o assunto por semanas, talvez meses, nunca encontrando decisões conclusivas, mas nunca se cansando isso.

Enquanto isso, Roger, enquanto joga futebol com um amigo que tem em comum com Elaine, vai parar por um minuto antes de pegar a bola, e seriamente diz:

"Norm, Elaine já teve um cavalo?"

(Original em: http://www.blameitonthevoices.com/2008/05/difference-between-men-and-women-in.html)


00:10
-Acorde, Eutanásio.
Eutanásio. Homem comum, trabalhador, pai de família, vota no PT e torce pro Caxias.
-Vamos lá, Eutanásio.
Ele se levanta.
-Agora, vá até o banheiro, Eutanásio. Mas não faça barulho, ninguém pode ver.
Ele calça as havaianas, e vai, pé ante pé, sem fazer barulho. Eutanásio é muito cuidadoso.
-Muito bem, muito bem. Agora faça, Eutanásio.
Ele hesita por um momento.
-Vamos lá, eu sei que você consegue.
Então, ele levanta o pé, mete dentro da privada e dá a descarga.
-Muito bem, Eutanásio! Eu sabia que você conseguiria! Agora, volte pra cama antes que percebam algo.
Ele volta pra cama, com um sorriso de orelha à orelha estampado no rosto.
Isonilda, a esposa, sente algo gelado nos pés.. ou seria úmido? Bobagem. Deve ser um sonho. Ela volta à dormir.

00:09
-Acorde, Eutanásio. Já sabe o que fazer.
Ele se levanta, calça as havaianas, e vai até o banheiro, pé ante pé. Chega no banheiro, mete o pé na privada e puxa a descarga.
-Eutanásio, a noite passada a sua esposa desconfiou. Temos que ser mais cuidadosos.
Ele pensa por um minuto. Então, pega uma toalha de rosto branca e seca o pé nela. No outro dia, a empregada acha meio estranho a toalha estar manchada de azul, mas ela não diz nada. Afinal, eles nunca atrasam o pagamento, passam o dia fora e Isonilda sempre compra os produtos da Avon que ela vende, então não há do que reclamar.

00:10
Eutanásio está na cama, mas não consegue dormir. Ele fica esperando, e nada. 00:30, quinze pra uma..e nada. Quando já é uma hora…
-Desculpe o atraso, Eutanásio. Tive alguns contratempos. Mas vamos lá, já estamos atrasados.
Ele não se mexe.
-Ora, vamos, o que é isso? Você ficou chateado?
Nada.
-Tudo bem. Desculpe. Não vai acontecer de novo, ok? Agora vamos, por favor?
Ele se levanta, com um imperceptível sorriso no canto da boca. Vai até o banheiro, mete o pé na privada, puxa a descarga, mas… Algo acontece! A empregada não deixou toalha no banheiro!
-Pense rápido, Eutanásio!
Ele se dirige à cozinha e pega um pano de secar pratos, que está sobre a mesa, e seca o pé nele.
-Nossa, essa foi por pouco hein? Acho melhor pararmos por um tempo, está ficando cada vez mais arriscado.
Mas essa é a melhor parte. Eutanásio gosta de viver perigosamente.
-Não podemos ser descobertos. Se houverem testemunhas, teremos que tomar atitudes drásticas.
Ele se convence. Eles vão dar um tempo.
No outro dia, na hora do café, estão Lucicleide, a esposa, e Marinalda, a filha do casal.
-Mãe, o pai tá fazendo aquelas coisas estranhas.
-Mas de novo? ele não tinha parado?
-Sim, mas eu sempre escuto ele indo no banheiro de madrugada.
-Ora, mas o que tem de mal em ir no banheiro de madrugada?
-É que ele sai de lá rindo.
-Acho que vou dizer pra empregada pôr menos alho na comida.
No outro dia, a voz não vem. E nem no próximo. E ele se sente orgulhoso de si.


Hoje eu sonhei que eu tinha ganho na mega-sena.
Daí eu ia de ônibus buscar o meu prêmio. Só que eu era sequestrado (sem trema) por alienígenas preto-e-branco.
Eu achei que eles se comunicavam através de um aparelhinho que um deles carregava na cintura (que emitia sons que lembravam o som de uma tabuinha batendo em outra, repetidamente, sendo transmitido através de um radinho de pilha mal-sintonizado em uma rádio AM e com a pilha meio fraca, além de outros sons repetidos), mas logo descobri que eles também falavam, embora não dissessem nada (embora falassem muito). Eu perguntava o que eles queriam comigo, mas eles respondiam em um idioma estranho. Eu só entendia que eles diziam 'somos nós', de um jeito estranho.
Quando eles me forçavam a chamá-los de 'mano', eu morria e acordava.

Hoje eu sonhei que eu ganhava na mega-sena.
Daí eu tinha um ataque cardíaco e morria. Daí acordei.