Categoria: Onibus

Feed desta categoria: onibus


Estranho como uma coisa tão normal possa ser tão diferente em lugares nem tão diferentes assim. Pegar ônibus em SP é diferente de pegar em São Caetano, que é diferente de Porto Alegre e que é diferente de qualquer outro lugar que eu tenha (ou não) pego um ônibus.

Em São Caetano, os cobradores tem um pouco de trabalho. Isso porque boa parte do povo usa um cartão pra pagar a passagem, e nesses casos tudo que o cobrador tem que fazer é ficar olhando a gente passar, ou nem isso. Depende do sono que ele tá sentindo no momento. A maioria nem a hora dá pra quem tá passando, e meio que ficam te olhando com cara de 'hã?' quando tu coloca as moedinhas no balcãozinho deles, ao passar. Mas mesmo com quase nada pra fazer, tem uma tia no ônibus que eu pego às vezes (quando não me atraso muito...) que chega a ser irritante, de tão lenta que é. Ela pega o dinheiro, conta, dá o troco, espera uns segundos e depois aperta um botão pra liberar a roleta/catraca. É um saco, porque logo começa a acumular o pessoal, e ela sempre com um sorriso de canto de boca, que parece querer dizer 'rá, mais um fudido que não tem cartão'.

Em SP, praticamente todo mundo tem o cartão pra passar no ônibus. O que é ótimo pros cobradores, que ficam ali só pra atender um ou outro perdido que não tem ou esqueceu o cartão (como este que vos escreve... tenho um problema com cartões, assim como com embalagens sachê e cadarços), e pra dormir. Acho que o cobrador nem me viu hoje, e também tanto faz. O problema fica pra quem atende o povo todo que vai comprar créditos pro cartão, no terminal. SEMPRE tem uma fila enorme, porque as maquininhas de carregar não dão troco, e nem aceitam moedas. Na verdade, eu acho que aceitam, mas tem uma fita adesiva tampando o lugar por onde se coloca(ria) as moedas. Sem contar que uma das três máquinas sempre tá sem funcionar. Ás vezes, ela tá ligada mas quando a gente toca na tela, não acontece nada. Outras vezes, ela tá desligada, e semana passada, uma delas tava com o vidro quebrado(!).

Sem contar que eu não consigo me acostumar com o fato de ter que subir pela porta da frente. Seilá, eu acostumei a subir por trás e descer pela frente. Obviamente, isso não faz diferença alguma, e deve ter um motivo tão óbvio pra isso que eu não consigo pensar em qual é. Será que é o mesmo motivo pelo qual a tia vagarosa do 008 dá aquela esperada antes de liberar a roleta/catraca pra gente?


Eu sei que, falando assim, isso parece uma mera desculpa pra um comportamento não muito legal, mas não é.

Não que eu tenha pensado nisso antes por qualquer motivo, já que tem algumas  coisas que a gente nunca para pra pensar, como por exemplo, se é falta de educação pisar no pé dos outros e não pedir desculpa. Mas parando pra pensar, depois de ter pisado em vários pés (e dado cotoveladas e mochiladas), e também depois de ter os próprios pés pisados por outras pessoas, eu chego à conclusão que tanto faz pedir ou não desculpa.

Primeiro, porque provavelmente a pessoa não pisou de propósito. Geralmente quando não se gosta de alguém, a gente ignora essa pessoa, ou faz qualquer outra coisa, mas não vai lá e pisa no pé dela. Acho que colocar algo molhado na mochila e pedir pra essa pessoa segurar seria uma forma bem melhor de demonstrar esse sentimento. E mesmo que a pessoa esteja falando no celular, ou ouvindo lixo, ou falando lixo, a gente precisaria estar muito estourado pra fazer algo contra essa pessoa. E nesse caso, jogá-la pra fora do ônibus seria mais adequado.

Segundo, porque a pessoa que pediu desculpas vai se limitar à isso. Ela não vai limpar teu tênis.

Terceiro, porque desculpas não vão fazer teu pé doer menos. Na verdade, quando se pede desculpas, o pisado automaticamente não tem mais direito de chingar a mãe do pisador. E nesse caso se está tirando um direito do injuriado, sem contar que, ás vezes, chingar é o melhor remédio.


Uma das coisas que eu gostaria de comprar depois que ficar rico e não precisar mais trabalhar, depois da guitarra de 7 cordas, é uma máquina de estampar camisetas.
Eu faria camisetas com frases que se adequassem ao lugar onde  estivesse. Por exemplo, 'Que mochilão, hein?' e 'Vai descer na próxima?' para quando estivesse no ônibus;  'Obrigado por dificultar o embarque' e 'Mantenha-se à direita' (com uma seta apontando pra esquerda), para quando estivesse no metrô.

É estranho, o verbo guilhotinar não pode ser conjugado em todos os tempos; pode-se dizer: eu serei guilhotinado, tu serás guilhotinado, mas não se diz eu fui guilhotinado.